Preto e Branco

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O olhar pela cidade, decupando seu cantos, mirando sujeitos estáticos em busca de identidade é um trabalho de pura contemplação aleatória.

Debruçar-se sobre seu tempo de fissuras é reconhecer um espelho quebrado, e cada caco em si é a materialização de pedaços que a compõe: construções, pessoas, sentidos, vazios e conceitos.

É assim que a cidade se manifesta nesse processo. É pela observação atenta e livre que ela se revela em preto e branco, texturas e outros vôos estéticos.

Pela espera paciente defronte aos seus grandes monumentos e aos pequenos oásis, que ela nos sugere novos conceitos sobre unidade e pluralismo, o referente e o objeto, e, principalmente, sobre o pomposo e o singelo. Paisagens de toda sorte nos surpreendem pelo caminho que a cidade percorre em si, movendo-se o tempo todo, ainda que fixada em uma fotografia.

Nesse processo artístico, potencializa-se a desconformidade do belo, traçando para ele novos contornos disformes, violados por uma poética ríspida que também interfere nas paisagens sem a complexidade dos cartões postais, transformando-as em ricas imagens.

Pensar na cidade é pensar em fisiologia em grande escala. Num ser urbano, tão orgânico quanto muitos de nós. Arriscar-se em seu conforto é ser lembrado que ela nos contêm e nos está contida, em um preto e branco enquadrado e muito vivo.

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